Meia noite, sem ponto


"Falta um minuto para a meia noite, talvez falte um minuto para seres real, talvez não. Quem sabe este minuto muda a tua vida. Quem sabe não."


Perfeita de sorriso de orelha a orelha, com um olhar capaz, capaz de tudo, capaz de fazer corar, capaz de fazer chorar. Capaz.

Fazia-se acompanhar pelo seu olhar profundo, olhar de quem conhece o mundo, e não o teme. E ela não o teme. Maquilhagem no ponto, nem discreta, muito menos exagerada. Era ela, desacompanhada, até porque, dizia ela: " - A companhia torna as pessoas desinteressantes, e eu adoro interessar, e ser interessada".

Subiu as escadas qual passadeira vermelha, desfilou em cada olhar masculino daquela sala, fantasiou com eles todos, um por um. Entrou na mente dos mais fáceis, entrou no corpo dos mais difíceis. Conseguiu. Mais uma vez.

Era apelidada de "irrequieta".
 Mesmo as pessoas que nunca tinham privado com ela, sabiam tal alcunha que lhe havia sido dada. Irrequieta psicologicamente, aqueles pensamentos absurdos, sonhos estranhos, sonos acordados. Ela não dorme, ela vagueia.

Tornou-se irrequieta com o tempo, passou de criança a mulher, num piscar de olhos, nem sequer acenou
á adolescência, pasou com tal velocidade que ninguém a recorda.


Dá com ela agora presente a  uma multidão que a adora, não o dizem, não o demonstram, mas sentem.

Não é fácil gostar de uma "irrequieta", não cai bem, não funciona.

Ela sabe, e provoca, ela sabe e adora.


Mas falta um minuto para a meia noite. Lembras-te? "Quem sabe sim, quem sabe não".!



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