Poder?

"Mulheres ao poder !" - Gritava uma revoltada  de 40 anos,  deu um basta, o grito do Ipiranga pessoal e disparatou em todas as frentes, algumas perigosas.

Durante anos sentiu-se rainha de um castelo abandonado, rodeada por milhares de ninguéns que lhe atormentavam num silencio ensurdecedor todos os dias de um dissimulado casamento que mais se devia chamar morte lenta.

Atrasos constantes de um marido já conhecidamente desconhecível, desprezível, amargo, que transportava dentro de si uma malícia já exaustiva que os afastava cada noite mais. Tocavam-se como dois apaixonados, beijavam-se como dois platónicos namorados, contudo,o diálogo tinha morrido no dia do casamento, diálogo falado, não o mental, até porque mentalmente ela desejava que ele, com imenso respeito, fosse para o inferno, e de lá não saísse.

Saiu ela, tarde, mas deixou a relação. consumida pela dor psicológica, sentia-se vitima de fraude amorosa, ele não foi, em tempo algum, aquilo que vinha descrito nos ingredientes que ela provou, e aprovou no primeiro encontro, naquele banco de madeira, no resguardo do jardim da cidade, na noite fria de Dezembro. Ele agarrou na mão dela e , apesar de ser o primeiro encontro, olhou-lhe nos lábios e disse "Aceitas-me?"

 E ela aceitou, aceitou a tempo da morte, morte psicológica, mas não deixa de ser morte.  A morte dela.



Sentiu-se poderosa no dia em que o deixou, mas já vinha com selo de morte, dele.











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