Guerras internas

Criei um monstro. Transformaram-me num monstro, humano, com raros picos de humanidade.
Fodasse, não há direito. Pergunto o porquê, do outro lado oiço apenas tiros de metralhadora que roçam o meu corpo, entendo isto como uma pergunta que ninguém quer responder. Agimos apenas por impulso, impulso obrigatório, obrigados por uma dúzia de comandantes que não aceitam a derrota.
Está frio, faz frio, cai neve  por todos os lados, tal como cai as lágrimas do meu rosto. Não sou daqueles que querem voltar com saudades da família, perdi a minha família à muito, tudo por culpa desta maldita batalha infernal.  Criei uma pequena guerra própria dentro de mim, ceguei-me temporariamente, não quis ver que os estava a perder aos poucos. 
Perdi o sorriso da minha filha, perdi o primeiro jogo do meu filho, faltei aos 5 anos de casamento ,o meu comandante diz que são coisas que acontecem a milhares de soldados, comandantes, generais. Mas a minha família não é uma dessas milhares de famílias, pelo menos não era.
Só me faz falta aquele meu café, apenas o meu café
 

No dia-a-dia sempre precisei
De um sorriso familiar, um beijo doce
O frio trouxe o que lá deixei
A memória de quem amo ,a memória que já amei. 

Nunca vou sair vitorioso desta guerra, perdi-a de inicio.









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