-Mais uma batalha vencida, os tiros das metralhadoras adversárias rasaram me umas quantas vezes, não agradeço a Deus, não acredito em tal ficção, agradeço à Sorte, essa sim... Estou esfomeado, o nosso batalhão não come há 45 horas, de volta ao quartel improvisado vi inúmeros colegas de recruta caídos no chão, não aguentaram a fome, a sede, o cansaço, o corpo desistiu, o cérebro apenas afirmou a cedência. E aquelas famílias ?..
Não há cansaço que me mate, não aqui, a minha missão não me foi dada por estes assassinos diplomáticos, não há missão que supere a vontade que tenho de regressar a casa, a tempo de levar a minha filha ao altar, apesar de não ir nem pouco mais ou menos com a cara daquele pequenote que roubou a minha filha de casa,.. Enfim .
Poderia dizer que o que custa mais são as noites, estaria a mentir, as balas entram-nos nos ouvidos a cada minuto,seja de dia ou de tarde, cada bala lembra-me de vocês. Cada segundo de medo, de ânsia, de vontade de regressar, as lágrimas molham mais do que chuva, a memoria dói mais que a guerra. A memoria é uma guerra.
Já não desembolso sorrisos fáceis, torna-se difícil a partir do quinto mês, garanto, Os meus colegas, poucos, os que restam, dizem me que tudo se torna mais fácil quando não pensamos na família, que inergúmenos pensei eu.
Usar a palavra fácil nesta dor que sinto , faz tanto sentido, como dizer que o nosso batalhão, reduzido, está aqui apenas a manter a paz.
A memória conduz-nos por estradas estreitas e curtas, mas pode também nos acidentar nas pequenas curvas,
Com lágrimas, o teu soldado
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